quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Questão de interpretação


Gosto muito de filosofia e como tal um dos pensadores mais difíceis de interpretar é Nietzsche (tem que pegar o nome do cara no Google para escrever direito). Entre suas obras está “Para Além do Bem e do Mal”, um título forte, que me fez lembrar do Imperador de Sinop. Por que? Eu explico!

A analogia não veio de graça. Nas últimas duas semanas tenho escutado de diferentes pessoas ligadas a política (e seria covardia citá-las), a seguinte frase:

“Já está tudo certo lá em Cuiabá”.

A afirmativa se refere ao processo que JC responde por escambo, quando trocou gasolina por voto. O teor da retórica é de que, relativo a decisão está “tudo certo”.

Certo como? Não quero buscar a etimologia da palavra, mas dizer que até agora o que a turma do JC tem é “errado”. Errou na campanha, falhou no processo anterior e agora está perdendo novamente por 3 votos a 2. Isso é certo?

Talvez seja só drama, e tudo se reverta. Mas se isso acontecer, foi pré-anunciado. “Estava tudo certo”, como dizem pelos cantos. Imaginar que houve um “acerto” coloca JC acima do bem ou do mal, um prefeito glorificado que continua no cargo mesmo cassado, atuando com franca liberdade e sendo amado pelo povão. Desculpe Imperador, mas, dessa forma, ou és santo ou traidor.

Se o “tudo certo” era um processo judicial bem montado, seguindo as premissas da lei, amém! Agora, e se o “tudo certo” foi a famosa mala?

Isso me lembra outro pensador, que também está na cabeceira. Maquiavel afirmava em suas teorias que “os fins justificam os meios”, embora nunca tenha escrito essa frase, nesse formato. Significa, em suma, que o príncipe pode usar de qualquer mecanismo para atingir o seu projeto final. Por exemplo: Digamos que eu seja deputado e sonhe uma Sinop Melhor... valeria de tudo, qualquer coisa mesmo, para me eleger prefeito. Mesmo que tivesse que apelar para as práticas rasas e indecentes das velhas raposas da política. Afinal, tudo mudaria quando eu chegasse ao poder.

Essa é a teoria de Maquiavel... na verdade funciona mais como uma leitura dos líderes, desde o século 17. E pelo visto nunca esteve tão atual...
Mas fiquem todos tranqüilos, afinal, “está tudo certo”...
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2 comentários:

  1. Ta? Tudo certo? Então pq o prefeito vive com cara de bravo? Alguém por favor avisa pra ele que ta tudo certo, pra ver se ele sorri mais****

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  2. Para quem viu Raul ontem na telinha global e está na média, não lá muito "maluco beleza", sabe que não está "tudo certo", mesmo que de certo, que permaneça. Nietzsche tambem disse: "o mundo seria mediocre sem a musica", quando muito "alem do bem e do mal",chamava a atenção para os "sonhos" do povo e os fins que Maquivel disse, ou quis dizer, justificavam os meios, eram para o bem. Não se pode "roubar" ATÉ... o sonho do povo...

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